Entidades que representam diferentes segmentos do setor de combustíveis no Brasil emitiram um alerta nesta sexta-feira (20) sobre o risco de desabastecimento de diesel no país e defenderam a adoção de novas medidas por parte do governo federal. O posicionamento reúne representantes de toda a cadeia, incluindo distribuição, revenda, importação e refino.
Apesar de reconhecerem iniciativas recentes do governo, como a redução de tributos federais e a criação de subsídios para produtores e importadores, as entidades avaliam que os efeitos práticos dessas ações são limitados e não chegam de forma significativa ao consumidor final.
Um dos principais pontos levantados é a diferença entre o diesel vendido pelas refinarias, conhecido como “diesel A”, e o produto comercializado nos postos, o “diesel B”, que inclui a mistura obrigatória com biodiesel. Segundo o setor, essa composição faz com que eventuais reduções de custo não sejam repassadas integralmente ao preço nas bombas.
Além disso, aumentos recentes no valor do diesel nas refinarias têm contribuído para anular parte dos incentivos anunciados. O cenário é agravado pelo fato de que uma parcela relevante do abastecimento nacional depende de importadores e refinarias privadas, que seguem os preços do mercado internacional.
A preocupação cresce diante da possibilidade de descompasso entre os preços praticados no Brasil e os valores externos, o que pode desestimular a oferta e pressionar ainda mais o mercado interno. Com menor disponibilidade de produto, o risco de desabastecimento se intensifica.
O contexto internacional também influencia diretamente esse cenário. A escalada dos preços do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, elevou significativamente o custo da matéria-prima. Em poucas semanas, o valor do barril praticamente dobrou, impactando toda a cadeia de combustíveis.
No Brasil, o diesel tem papel estratégico na economia, sendo essencial para o transporte de cargas e a distribuição de produtos. O aumento do combustível afeta diretamente o custo logístico e pode gerar reflexos em diversos setores, incluindo alimentos e serviços.
Diante desse quadro, o governo busca alternativas para conter a alta de preços e evitar impactos mais severos na inflação. Entre as propostas discutidas estão mudanças na tributação e negociações com estados sobre o ICMS, embora haja resistência por parte dos governos estaduais.
A avaliação do setor é de que medidas adicionais precisam ser adotadas com urgência para garantir o equilíbrio no abastecimento e evitar agravamento da situação nas próximas semanas.