Setor anticorrupção da Segurança Pública é reestruturado após operação

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo publicou nesta segunda-feira (16) uma resolução que reestrutura o setor de compliance da pasta com o objetivo de reforçar o combate à corrupção dentro das corporações policiais do estado.

O decreto foi assinado pelo secretário Osvaldo Nico Gonçalves e busca ampliar mecanismos de controle interno para prevenir conflitos de interesse, fraudes e casos de assédio nas instituições. A decisão foi tomada poucos dias após a deflagração da Operação Bazaar, que revelou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da Polícia Civil de São Paulo.

A investigação, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, resultou na prisão de nove pessoas no início de março, entre elas quatro policiais civis suspeitos de receber propina para interferir em investigações e beneficiar investigados.

A reestruturação envolve a Unidade de Gestão de Integridade da secretaria, criada em 2023, responsável por elaborar e monitorar programas de integridade nas polícias Civil, Militar e Penal. O novo decreto também nomeia nove integrantes da própria pasta para implementar mudanças no setor. Entre eles estão quatro delegados da Polícia Civil, três capitães da Polícia Militar e dois peritos criminais.

As apurações indicam que o grupo investigado teria transformado delegacias especializadas em um esquema de negociações ilegais para garantir impunidade a suspeitos. Segundo a investigação, os envolvidos usavam empresas de fachada e mecanismos financeiros para ocultar valores obtidos por meio de propina.

As autoridades apontam ainda que parte do dinheiro ilícito era convertida em créditos de vale-refeição e movimentada por meio de estabelecimentos fictícios para dificultar o rastreamento das transações. Em mensagens interceptadas, os investigadores identificaram negociações que envolvem valores milionários.

Entre os alvos da operação estão policiais civis, advogados e operadores financeiros ligados a investigações anteriores de corrupção. A Justiça também autorizou mandados de busca e apreensão em residências, escritórios e unidades policiais ligadas aos suspeitos.

As investigações apontam que as irregularidades ocorreram em setores considerados estratégicos da polícia paulista, incluindo departamentos especializados de investigação criminal.

O governo estadual afirmou que a medida de reestruturação busca fortalecer os mecanismos de controle interno e evitar novos casos de corrupção dentro das corporações de segurança pública.

Fonte: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo. Foto: Paulo Guereta/GESP