Alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio pode impactar combustíveis no Brasil

A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma forte alta no preço do petróleo e acendeu o alerta para possíveis impactos econômicos no Brasil. A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, elevou os temores sobre o abastecimento global.

O barril do Brent encerrou a sexta-feira cotado a US$ 92,69, com alta superior a 8% no dia e quase 28% no acumulado da semana. Já o West Texas Intermediate fechou a US$ 90,90, avanço diário acima de 12% e valorização semanal de mais de 35%. Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20.

A tensão aumentou após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a “rendição incondicional” do Irã. O país é um dos maiores produtores globais de petróleo e o conflito afetou diretamente a navegação no Golfo Pérsico.

Com os confrontos, o tráfego de petroleiros na região praticamente parou. Empresas que monitoram rotas marítimas indicam que cerca de 300 embarcações aguardam condições de segurança para atravessar o estreito. A crise também levou o Iraque a reduzir sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, enquanto o Catar declarou força maior em parte das exportações de gás natural.

Especialistas apontam que a alta do petróleo pode chegar rapidamente ao bolso do consumidor brasileiro. Como os preços dos combustíveis seguem referências internacionais, o aumento do barril tende a encarecer principalmente o diesel, elevando custos de transporte e pressionando o preço de alimentos e outros produtos. Caso a tensão persista, analistas já projetam que o petróleo pode se aproximar de US$ 100 nas próximas semanas.