A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos pode dificultar a política de tarifas comerciais do presidente Donald Trump. Com a conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, os democratas ganham mais força para fiscalizar o governo e criar obstáculos a novas medidas comerciais.
O resultado também pode mudar o cenário das negociações com países como Brasil, China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Apesar disso, a derrota republicana não significa o fim do chamado tarifaço, já que Trump ainda conta com instrumentos legais para impor taxas sobre produtos importados.
Para o Brasil, a nova composição do Congresso americano pode dificultar a adoção de novas tarifas e acelerar a reação dos parlamentares diante de possíveis conflitos comerciais. No entanto, o presidente ainda pode recorrer a mecanismos como as Seções 232 e 301 da legislação americana, que permitem impor taxas por motivos de segurança nacional ou práticas comerciais consideradas desleais.
Na Ásia, Japão e Coreia do Sul podem ganhar mais tempo para reavaliar compromissos de investimentos bilionários assumidos durante negociações com Washington. A Índia também pode adotar uma postura mais cautelosa nas conversas para fechar um acordo comercial.
Já a China pode tentar aproveitar o enfraquecimento político de Trump para buscar condições mais favoráveis nas negociações. Por outro lado, os democratas podem pressionar por regras mais rígidas para a venda de tecnologias americanas aos chineses, principalmente nos setores de inteligência artificial e semicondutores.
Analistas avaliam que o novo cenário pode aumentar o espaço para negociações, mas também gerar novas tensões comerciais. Trump continua com poderes para adotar tarifas, e os efeitos da mudança no Congresso dependerão das decisões do presidente e da reação dos parlamentares.
Fonte: g1, com informações da agência Reuters.