Empresas brasileiras já sentem os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Em alguns casos, a queda nas exportações chegou a 60%, enquanto outras companhias deixaram de vender para o mercado americano.
Um dos exemplos é a Engemasa, do setor de manufatura. Os Estados Unidos representavam 40% do faturamento da empresa em 2025, mas a participação caiu a zero em 2026. A falta de previsibilidade nas compras também passou a dificultar os negócios.
Na Utilinox, que comercializa máquinas e equipamentos industriais, alguns produtos tiveram redução de 60% nas vendas aos americanos. A empresa também havia sido afetada pela tarifa de 50% sobre aço e alumínio.
Diante do cenário, empresários passaram a buscar novos compradores. A América Latina aparece como uma das alternativas, além de países como Canadá, México, Alemanha, Turquia, Índia e China. Cerca de 72% das empresas atendidas pela ApexBrasil que exportam para os Estados Unidos já atuam em pelo menos um mercado adicional.
A diversificação, porém, exige adaptação dos produtos, atendimento a novas exigências técnicas e construção de relacionamento com compradores de outros países.
O governo também anunciou medidas para tentar reduzir os impactos. O programa Brasil Soberano prevê R$ 22,6 bilhões para empresas afetadas, enquanto a ApexBrasil destinou R$ 210 milhões para 35 setores em ações de busca por novos mercados.
Para especialistas, além das medidas emergenciais, o desafio é aumentar a competitividade da indústria brasileira e diminuir a dependência de poucos mercados.