A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, usados no tratamento do diabetes e da obesidade.
A doença afeta o nervo óptico e pode provocar perda repentina e permanente da visão. Os registros envolvem Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro.
Segundo a Anvisa, os casos ainda são considerados suspeitos. A presença do medicamento e da doença na mesma notificação não comprova que o remédio tenha causado o problema.
Entre os registros, cinco envolvem Ozempic, três Wegovy, dois Wegovy FlexTouch, dois Rybelsus e um Mounjaro. Desde junho de 2025, a Noia consta na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara.
Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology, que analisou mais de 1,6 mil prontuários, apontou risco maior de Noia entre pacientes que receberam semaglutida. Os pesquisadores, porém, destacaram que os dados não permitem estabelecer relação de causa e efeito, principalmente pela existência de fatores como o diabetes.
O oftalmologista Rubens Belfort Neto explica que a doença pode estar relacionada a condições anteriores do paciente.
“Essa é uma doença rara, mas que a gente tem em alguns pacientes com doenças preexistentes como é o caso da diabetes. […] Fica difícil saber se esse paciente já teria a doença pelo quadro dele ou se ele tem porque está usando o medicamento”, explica.
Especialistas recomendam acompanhamento médico e atenção a alterações repentinas na visão. A Novo Nordisk afirma que seus estudos não identificaram aumento de casos com semaglutida e considera favorável a relação entre riscos e benefícios. A Eli Lilly diz que monitora continuamente a segurança do Mounjaro.