Piscar, sorrir, levantar uma sobrancelha… todos esse movimentos são parte do cotidiano da população. Feitos de forma natural, eles compõem a expressão facial do ser humano. Às vezes, a necessidade destas ações só é percebida quando não é mais possível controlá-las.
A Paralisia de Bell é uma inflamação no nervo facial que “congela” parte do rosto e afeta cerca de 60 mil brasileiros por ano. A doença afetou o jornalista Gustavo Netto, apresentador da TV TEM, afiliada da Rede Globo.
Gustavo, que mora em Jundiaí (SP), conta que percebeu que o lado esquerdo do rosto estava imobilizado quando não conseguiu fazer algo básico de sua rotina: beber café.
“Na hora, senti que alguma coisa não estava bem. Não tinha dor, nada assim. Tentei de novo e aconteceu a mesma coisa. Não falei nada para a minha esposa, voltamos para casa e corri para o espelho. Foi fácil perceber: boca torta, olho caído… o lado esquerdo do rosto estava paralisado”, conta Gustavo.
Ao procurar um hospital, o medo inicial era de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), mas os médicos logo esclareceram o diagnóstico: Paralisia de Bell.

O que é a Paralisia de Bell?
A doença é uma inflamação no nervo facial, localizado atrás da orelha. Este nervo é responsável por levar os comandos do cérebro para os músculos do rosto. Na Paralisia de Bell, a inflamação faz com que ele inche e fique comprimido dentro do canal ósseo.
A Paralisia de Bell pode ser causada por vírus comuns, como o herpes ou também pelo herpes zoster, o vírus da catapora, que fica alojado na medula. Em 99% dos casos, a paralisia afeta apenas um lado do rosto de cada vez. Oito em cada dez pacientes recuperam os movimentos totalmente.
O neurocirurgião Eduardo Alcântara explica que a principal diferença entre a Paralisia de Bell e a paralisia central do AVC é a região em que o corpo para. “No AVC você para metade do corpo, geralmente também tem sintoma em braço, em perna e, no rosto, é só o lábio que fica torto. O olho e rosto ficam normais”, completa.
A recuperação: ‘O simples deixou de existir’
Gustavo relata que o início do tratamento foi emocionalmente difícil, especialmente por trabalhar com a imagem.
“O simples deixou de existir. Eu não piscava, não fechava o olho, não conseguia segurar água na boca, mastigar… Para dormir, precisava usar tampão e fechar o olho com o dedo. Até tomando água no canudo eu babava”, descreve.
A recuperação exige um tratamento multidisciplinar. A fisioterapeuta Cristiane Calegão explica que os exercícios estimulam a musculatura para “acordar” as fibras do rosto. “A gente trabalha com exercícios, por exemplo, o sorriso e o bico para a fala. Então, o abrir e fechar dos lábios. […] Quanto antes se iniciar o tratamento, melhor a recuperação”, diz.
O jornalista revela que também faz acompanhamento com fonoaudiólogos, além de tratamento de acupuntura e psicoterapia. Para ele, o apoio da família e amigos tem sido essencial para superar as dificuldades do momento.
“Agora, depois de mais de 100 dias, os movimentos começam a voltar e vem também uma sensação de leveza. O maior medo sempre foi não retornar. Isso ainda passa pela cabeça o tempo todo. Mas os profissionais ajudam muito a entender o processo. E receber apoio dos amigos, da família e das pessoas… é uma medicação e tanto”, finaliza.
Para ajudar a causa, Gustavo usou sua profissão para ampliar o debate a respeito da doença: produziu uma reportagem especial para explicar todos os passos, do diagnóstico ao tratamento da Paralisia de Bell.
Fonte/Imagem: TVTEM – G1