A escalada do conflito no Oriente Médio já provoca reflexos no mercado internacional de petróleo e pode impactar diretamente o preço dos combustíveis no Brasil. Com a disparada das cotações no exterior, cresce a expectativa de pressão sobre gasolina, diesel e gás de cozinha nas próximas semanas.
Em meio ao cenário de instabilidade, a Petrobras informou que suas operações seguem seguras e que não há, neste momento, risco de interrupção nas importações ou exportações. A estatal afirma que a maior parte das rotas utilizadas está fora da área de conflito e que eventuais trajetos podem ser redirecionados.
Apesar disso, o mercado acompanha com atenção o fechamento do Estreito de Ormuz, anunciado pelo governo do Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A região é estratégica para o transporte global de petróleo, concentrando cerca de um quinto de todo o fluxo mundial da commodity.
O estreito conecta grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Qualquer bloqueio prolongado pode reduzir a oferta global e impulsionar ainda mais os preços.
Os contratos internacionais do petróleo já reagiram, com alta de até 13%, superando os US$ 82 por barril — maior nível desde janeiro de 2025. Para o Brasil, isso significa aumento no custo de importação de derivados e pressão sobre a política de preços praticada no país.
Especialistas do setor avaliam que, mesmo com a Petrobras sinalizando cautela antes de qualquer reajuste, refinarias privadas podem repassar a alta mais rapidamente. Caso o conflito se estenda por semanas ou meses, o petróleo deve permanecer em patamar elevado, dificultando reduções nos preços domésticos.
Com isso, o consumidor brasileiro pode sentir os efeitos nas bombas, especialmente se o dólar também mantiver tendência de valorização, ampliando o impacto do petróleo mais caro no mercado interno.
Fonte: g1