Capinha de celular em formato de pistola gera alerta por risco de confusão e possíveis tragédias

Por: Dircélio Timóteo

Um acessório para smartphones tem provocado preocupação entre especialistas em segurança e consumidores. Trata-se de uma capinha com formato idêntico ao de uma pistola automática, incluindo o cabo que fica para fora do bolso quando o aparelho é guardado.

À distância, o objeto pode ser facilmente confundido com uma arma de fogo real, cenário que acende o alerta para riscos graves, inclusive de reações violentas.

O produto é comercializado em sites de vendas na internet por valores que variam entre R$ 30 e R$ 65, nas cores preta, branca e rosa. Também há registros de comercialização em lojas da tradicional região da 25 de Março, no centro de São Paulo.

Aparência realista amplia risco

Além do formato externo semelhante ao de uma pistola, a capinha oferece acesso a um aplicativo que projeta na tela do celular a imagem do cano da arma. O efeito visual torna o conjunto ainda mais convincente, principalmente quando o aparelho é manuseado em locais públicos.

O perigo aumenta em situações cotidianas. Ao ser colocado na cintura ou no bolso, o cabo da suposta “arma” fica aparente. Já ao atender uma ligação, dependendo do ângulo e da distância, pode parecer que a pessoa está segurando uma pistola erguida. Em ambientes com pouca visibilidade ou em locais onde há tensão, a confusão pode gerar pânico, abordagens policiais ou até reações impulsivas de terceiros.

Especialistas alertam para consequências

Embora o item seja vendido como um acessório criativo ou inusitado, o potencial de confusão preocupa. Em um país onde episódios envolvendo armas de fogo frequentemente resultam em desfechos trágicos, qualquer objeto que simule uma arma pode representar risco real.

O principal temor é que o usuário seja confundido com alguém armado, sobretudo em espaços públicos, eventos ou áreas com policiamento intensificado. Em situações de abordagem, a interpretação equivocada pode levar a consequências irreversíveis.

Venda é permitida, mas debate cresce

Até o momento, o acessório circula livremente no comércio eletrônico e físico. No entanto, o caso reacende o debate sobre a responsabilidade na fabricação e comercialização de produtos que imitam armas de fogo com alto grau de realismo.

Para especialistas, o bom senso deve prevalecer. “O que pode parecer apenas uma brincadeira ou um item diferente pode colocar vidas em risco”, alertam profissionais da área de segurança.