Uma tecnologia inédita desenvolvida em uma ecofábrica instalada na comunidade da Mangueira, na zona norte do Rio de Janeiro, está transformando óleo de cozinha usado em uma alternativa ecológica para o tratamento de esgoto. A iniciativa tem contribuído para a melhoria do saneamento básico e da qualidade de vida dos moradores.
A solução é o sabão ecológico “Omì”, enriquecido com microrganismos não patogênicos que auxiliam na redução da contaminação da água e dos lençóis freáticos. A partir da mesma fórmula também são produzidos detergentes e lava-roupas, ampliando o impacto ambiental positivo do projeto.
Desde o início das atividades, mais de três mil litros de óleo de cozinha já foram coletados em comunidades e instituições de ensino. Se descartado de forma irregular, esse volume poderia contaminar até 81 milhões de litros de água — o equivalente a 32 piscinas olímpicas ou ao consumo mensal de aproximadamente 500 famílias. Ao todo, a produção já ultrapassa três toneladas de sabão e centenas de litros de detergentes.
A ação faz parte do projeto Omìayê, desenvolvido pelo Instituto Singular Ideias Inovadoras, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF). A organização atua na interface entre ciência, justiça social e sustentabilidade.
Segundo o coordenador executivo do Omìayê, Bruno Pierri, os resultados são percebidos diretamente no cotidiano da comunidade. Ele afirma que o uso contínuo dos bioinsumos ajuda a reduzir odores, entupimentos e o acúmulo de sujeira, tornando os ambientes mais saudáveis, especialmente para crianças e idosos.
Já o diretor do instituto, Gabriel Pizoeiro, destaca que a proposta foi pensada para ser replicável. Como os produtos fazem parte do dia a dia da população, o modelo pode ser expandido para outras comunidades do Rio de Janeiro, para diferentes regiões do Brasil e até para outros países.
A iniciativa reforça o potencial da economia circular como ferramenta de transformação social, aliando reaproveitamento de resíduos, inovação científica e impacto ambiental positivo.
